Conheça as aventuras e desventuras da história do rock brasileiro até os dias de hoje.

Por vezes, nada nos parece menos natural do que o casamento entre uma guitarra elétrica e uma voz em português. No entanto, este incômodo não se trata necessariamente de uma inescapável realidade de nossa música. Na verdade, pelo contrário, pois nossa pequena biografia do rock brasileiro, ainda que tenha baixas, jamais foi uma batalha perdida. Certas vezes, nosso front, nossas bandas pioneiras no árduo cenário do rock nacional foram, sim, Vanguarda. Algumas bandas de rock, sem dúvida, com talento, puderam mudar o cenário e a História de nossa música.

É verdade que nossos problemas com os incentivos culturais formam obstáculos históricos diante de novas composições do rock brasileiro. No entanto, alguns personagens, algumas bandas, trataram de lidar com isso de forma criativa e independente e driblar tanto a velha censura da Ditadura Militar (principalmente, entre meados das décadas de ’60 e ’70) quanto as pressões de público e as dificuldades de mercado (ao longo das décadas de ’80 e ’90 e os impasses com a geração MTV).

Outra dificuldade sempre foi lidar com as pressões culturais de uma chamada identidade nacional. Ainda na década de 1960, diante do iê-iê-iê da Jovem Guarda, alguns artistas da MPB (como Elis Regina e Jair Rodrigues) gritaram às ruas uma passeata contra a guitarra elétrica – como se essa fosse símbolo de uma invasão do estrangeirismo em nossa música nacional. Entretanto, logo em seguida, surgiu a resposta: a ascensão inevitável de grandes e habilidosos artistas sob o título desafiador de rock brasileiro. Alguns puderam provar que era de fato possível cantar bem em português sob uma boa harmonia de guitarra elétrica – outros, criativamente, mostraram que não importa.

Fato é que algumas bandas de rock brasileiro surgiram, aventuraram-se, com coragem, e marcaram seu nome nas crônicas da História da música.

Algumas bandas que vieram para mudar o cenário do rock brasileiro.

● Os Mutantes
Na década de ’60, o mundo efervescia – e jamais foi o mesmo novamente. É a década da ascensão dos Beatles, dos ‘Stones e do Festival de Woodstock. E diante de uma febre criativa tão intensa, o rock brasileiro não poderia ter se deixado por fora. Junto ao cenário do Tropicalismo, surgem Os Mutantes, influenciados pelo álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e inspirados em um som absolutamente visionário. Pois sem perder a rica influência do cenário internacional, Os Mutantes foram pioneiros como rock brasileiro ao serem profundamente ligados a aspectos de sua cultura local. E assim como Bob Dylan desafiou aqueles que disseram que o folk não poderia ser tocado em uma guitarra elétrica, Rita Lee e seus comparsas desafiaram a dita passeata da MPB – experimentaram e misturaram os tons do brazuca com o gringo e criaram algo nunca antes visto na história deste país.

● Titãs.
Já na década de ’80, quem efervescia era o próprio rock brasileiro. É a década da ascensão de Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Ira!, Lobão, Sepultura, entre outros e outros dos mais diversos estilos e fervores criativos. No entanto, diante da difícil questão de escolher uma única banda para falar desse momento, surge a oportunidade de falar de uma banda que, com uma escalação de criaturas tão criativas e tão diferentes, pôde experimentar e mudar mais de uma vez as perspectivas do rock brasileiro. Os Titãs surgem um tanto do underground de São Paulo, junto a um agitado cenário de bares subterrâneos, como o Lira Paulistana, que deu origem a muitos outros músicos e bandas (como Itamar Assumpção, Língua de Trapo, Ultraje a Rigor e Ratos de Porão). Pois desse cenário, destes personagens tão particulares, pôde surgir alguns dos álbuns mais inovadores de nosso rock – entre eles, o histórico “Cabeça Dinossauro” (1986). De certa forma, os urros e as blasfêmias dos Titãs desafiaram a moral e os bons costumes e puderam resgatar, com a certa maestria de um punk, a rebeldia e o experimentalismo às antologias do rock brasileiro. E o Brasil definitivamente nunca mais foi o mesmo.

● Manuche.
Por fim, é verdade, pretendemos nos incluir nesta lista. A proposta do Manuche é resgatar a voz de um som autoral e autêntico ao nosso rock brasileiro. A ideia de nossos “homens livres”, Feeu Moucachen e Tom Gil, é que as melodias do bluesy-rock e do rock clássico retomem seu espaço na cena independente nacional e possam impactar nosso querido rock de nossa ensandecida nação.